Master em JornalismoMaster em Jornalismo

Instituto Internacional de Ciências Sociais

Universidade de Navarra

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Desafios da audiência de 100 milhões de pessoas

João Roberto Marinho abre as portas do jornalismo global

Por Eugênio Araújo

Qualidade

Master em Jornalismo - Como os veículos interligados à Rede Globo estão espalhados em diversos pontos do País, como manter o chamado "padrão de qualidade" da rede. Treinamento à distância, reuniões periódicas, workshops?

"Não existem nações fortes e livres sem redes de comunicações fortes."

João Roberto Marinho - Exatamente. No caso da TV, as afiliadas compartilham conosco um mesmo corpo de valores. A qualidade do jornalismo que praticamos na Globo é a mesma em todo o país. Todas têm de ter departamentos de jornalismo completos, seguindo os nossos princípios. E são todas muito competentes. Graças a elas, a Rede Globo - nossas emissoras próprias e as afiliadas - formam o maior veículo de comunicação do país. Estamos presentes, com redações completas, em todos os estados, em 118 municípios. É por isso que quando algo acontece no Acre, é a Globo que sabe primeiro. Porque estamos lá. Com equipes de qualidade. Com profissionais de primeira linha. Hoje a tecnologia nos permite estar em todas as redações virtualmente, usando a videoconferência. Em preparação a grandes coberturas, sempre fazemos isso: reuniões virtuais com todas as nossas redações. É muito produtivo. A Globo também tem encontros anuais em todas as regiões, durante os quais discutimos tudo: nossos problemas, nossas virtudes, idéias para coberturas.

Master - Nos últimos anos, cresce a discussão em torno da credibilidade da mídia - no Brasil e no Exterior. Como as Organizações Globo entendem essa discussão e de que maneira podem ser preservados valores como a busca da verdade, a liberdade de expressão e o compromisso com o leitor, internauta, telespectador e ouvinte?

João Roberto - Creio que a imprensa no Brasil desfruta de grande prestígio. O povo reconhece o bom trabalho que a imprensa do país produz e entende que imprensa livre e democracia são indissociáveis. A maior parte dos jornais, revistas e emissoras do país procura oferecer informação de qualidade. E informação de qualidade implica sempre correção e imparcialidade. Todos os homens de imprensa compartilham de um ideal: defender a liberdade de imprensa, informar o país, ser os olhos, os ouvidos dos brasileiros. Creio firmemente na existência desses propósitos comuns a todos nós, homens de imprensa. Mas muitas vezes erramos por falta de humildade. Nós jornalistas achamos que sabemos de tudo e acabamos cometendo erros. Portanto, é saudável discutir sempre a nossa profissão e procurar ter foco nos interesses dos nossos leitores, ouvintes, internautas e telespectadores.

Master - Para concluir, como emissoras e jornais de abrangência nacional podem, a um só tempo, cuidar de coberturas que interessa a todo o País e, ao mesmo tempo, respeitar a cultura e aspectos como a linguagem regionais? Existem exemplos práticos adotados nesse para o respeito às singularidades regionais?

Roberto Marinho

João Roberto - Como eu disse, os nossos jornais impressos dedicam grande parte de seu noticiário para os assuntos de suas cidades. Esta é uma característica nossa, desde sempre. E, na TV, talvez sejamos a que mais tempo dedica ao jornalismo local. São quase duas horas de jornalismo local diariamente. Na TV, em nível nacional, temos todos os sotaques. A TV Globo nunca pretendeu acabar com os diversos sotaques, isso seria uma loucura. Basta ver os nossos noticiários nacionais para se perceber isso. O que nós evitamos nesses noticiários é o uso de termos que nem todos os brasileiros conhecem. Precisamos ser entendidos por todo mundo. Por outro lado, talvez não haja sequer uma região do país que não tenha sido protagonista de nossa teledramaturgia. Se a produção é centralizada, por motivos óbvios, os cenários são os mais diversos. Não existe nação no abstrato. A nação é o povo e o povo é a região, o estado, a cidade, com as suas características. Se há algo de que nos orgulhamos é de estimular, nas mais diversas formas, essa nossa riqueza, que é a nossa diversidade.

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