Por Eugênio Araújo
Em entrevista exclusiva ao Master em Jornalismo, o vice-presidente das Organizações Globo fala de política, da imprensa nos anos de chumbo, da entrada de capital externo para financiar a mídia do País, do polêmico acordo Time-Life, denuncia visões “preconceituosas” contra a rede e acentua: “Não somos éticos porque somos líderes; somos líderes porque somos éticos”
Quando o assunto é independência e imprensa livre, João Roberto Marinho é direto: “Nosso único compromisso político é com os valores democráticos”. E quanto a eventuais favores da Ditadura Militar? “(...) Nenhuma das cinco emissoras de televisão hoje pertencentes à nossa família foi concessão dos militares”. Conciso e objetivo, João Roberto - terceiro filho de Roberto Marinho, mais do que amigo e confidente, um “irmão” do próprio pai - não foge de nenhuma questão. Pelo contrário – argumenta, remete o argumento a livros e entrevistas, esgrima com as palavras de maneira ágil para atingir sua meta. Bastidores do acordo Time-Life? Edição do último debate (histórico) entre Collor e Lula? Efeitos do slogan “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”? Não, o vice-presidente da rede de comunicação mais poderosa do País (e uma das maiores do Planeta) não foge de questões difíceis ou delicadas.
"Nossa missão é informar, educar e entreter, construindo relações que tornem melhor a vida de indivíduos e das comunidades."Mas, na entrevista, deixa claro quão difícil e complicado torna-se a gestão de uma rede tão influente na vida de uma Nação. Os números são emblemáticos: a rede de emissoras de TV atingiu, neste 2005 que acaba de fechar, média diária superior a 108 milhões de pessoas. Na internet, a Globo.com registra acessos diários (page views) da ordem de 2,6 milhões, em média e, nas ondas de rádio, as 23 emissoras da Rede CBN atingem mais de 230 mil ouvintes entre as 7 e 9 horas da manhã. Prá completar, juntando O Globo (jornal-mãe do Grupo) e o Extra, chega-se a uma tiragem média diária de 520 mil exemplares, atingindo um público superior a 4 milhões de leitores.
Com tanto poder de comunicação, a Família Marinho garante não abrir mão dos pressupostos, dos valores e princípios lançados desde que Irineu Marinho (pai do “Doutor Roberto”) fundou o jornal “A Noite”, em 1911. A missão deste jornal, transplantada para o Globo (já na década de 20) dita: “Informar, educar e entreter, construindo relação que tornem melhor a vida de indivíduos e das comunidades”. João Roberto Marinho, 80 anos depois, completa: “Não somos éticos porque somos líderes; somos líderes porque somos éticos”.
Veja a seguir a entrevista completa de João Roberto que, dado momento, faz menção direta aos profissionais de qualidade que ajudaram a montar a maior rede de comunicação da América Latina. Inclusive os “comunistas de Roberto Marinho, um grupo de companheiros de esquerda” - que trabalhavam no jornal e nas emissoras. “E que, apesar de intensa pressão (de políticos, de militares) meu pai sempre se recusou a demitir” – lembra o vice-presidente das Organizações Globo.