Por Eugênio Araújo
Numa entrevista franca e aberta, o comandante da RBS e presidente da ANJ abraçou temas polêmicos do meio jornal e falou da importância da “independência” das empresas de comunicação para o fortalecimento da democracia
O jornalismo praticado no Sul do Brasil tem sua marca mais forte na RBS, que está completando 48 anos sem abrir mão de dois princípios básicos: intransigência na liberdade de expressão e defesa de uma imprensa livre. “Mais do que isso, estamos focados no interesse de nossos leitores, ouvintes e telespectadores – tudo amparado em valores expressos num código de ética praticado diariamente” – resume Nelson Pacheco Sirotsky, diretor-presidente do Grupo e integrante da segunda geração da família que montou a maior rede de comunicação instalada ao Sul do país. Nelson Sirotsky falou com exclusividade para o Master em Jornalismo, abordando temas polêmicos como a sucessão familiar, capital externo na mídia e a origem da dedicação especial da Rede Brasil Sul aos temas gaúchos.
Ao longo de quatro décadas – conta Nelson Sirotsky -, a rede incorporou seis títulos de jornais diários – Zero Hora, Pioneiro, Diário de Santa Maria, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e Diário Gaúcho. Ao todo, são 438 mil exemplares diários vendidos (entre banca e assinatura), lidos por mais de 3 milhões de pessoas. A comunicação da RBS é totalmente multimídia: chega ao público, além das plataformas impressas, pelas redes de rádio, TV e internet. Um dos programas jornalísticos da televisão do grupo, o RBS notícias, atinge mais de 1,6 milhão de telespectadores.
Além dos números reveladores, Sirotsky destaca como uma das marcas da rede o contato com o cidadão. “Veja: estimulamos e preservamos, no dia-a-dia, diversos canais de comunicação com as pessoas, seja por telefone, e-mail, cartas, conselhos de leitor e até pessoalmente... Assim recebemos sugestões e críticas diárias”.
Nelson segue a tradição da família Sirotsky: acaba de assumir a presidência da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), fazendo deste canal tribuna para auxiliar o desenvolvimento das empresas jornalísticas e de seus profissionais. Além disso, mantém contato estreito com importantes entidades ligadas ao periodismo mundial (como a WAN – World Association Of Newspapers), porta globalizada na defesa do meio jornal e da liberdade de imprensa.