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São Paulo, 21/09/2009 às 18h49

Ombudsman da Folha diz que jornal impresso sobreviverá à internet

Carlos Eduardo Lins da Silva foi sabatinado por colegas jornalistas e platéia presente a debate

Folha Online

O ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, disse na segunda-feira (21) que o jornal impresso \'sobreviverá\' à internet, apesar do crescimento do meio eletrônico como fonte de informação. ‘[O jornal sobreviverá] Não tenho dúvida que sim, assim como o rádio e TV sobreviveram’, afirmou. Silva ressaltou que os meios de comunicação devem encontrar seus nichos de mercado e deu como exemplo o papel do rádio.

Segundo ele, o rádio não tem mais a audiência que tinha no passado, mas presta um importante serviço aos motoristas ao informar sobre o trânsito. \'Os meios de comunicação mudam de papel e de nicho de mercado. O jornal impresso também vai encontrar o seu nicho\', disse.

Ao responder perguntas da plateia, o ombudsman ficou contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista.

Questionado sobre o conteúdo de outros jornais, o ombudsman preferiu não comentar o trabalho de outros órgãos de imprensa. Ele disse que a Folha paga o seu salário para falar sobre o próprio jornal. Além disso, afirmou não ter tempo para acompanhar e criticar outros veículos. ‘Eles [outros veículos] que se virem’, afirmou.

Silva ressaltou que não é representante do jornal, mas sim do leitor. ‘Isso não quer dizer que sou inimigo do jornal, porque o leitor também não é [inimigo]’, afirmou o ombudsman, ao lembrar que tenta apenas mostrar erros.

O ombudsman também ressaltou a importância dos jornais continuarem a enviar correspondentes a outros países. Segundo Silva, não há agência de notícia que supere ou que ‘minimamente’ chegue perto do trabalho de um correspondente. ‘Caso contrário, corremos o risco de viver numa sociedade em que as notícias não têm mais importância. Só as opiniões. E quem vai apurar as notícias? Ninguém vai saber o que está acontecendo no Iraque se não mandar jornalista pra lá’, disse.

Internet

Silva criticou a forma como as notícias são publicadas na internet. Segundo ele, o problema não está no meio de comunicação, mas na pressa da publicação de informações que não foram devidamente checadas.

‘Não vejo problema nos meios [eletrônicos], mas na maneira como as coisas são feitas. O problema é o açodamento da publicação de informação não verificadas e na internet a dimensão é maior’, disse.

Silva citou a divulgação de um suposto acidente com um avião que teria caído próximo ao aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, quando na verdade se tratava de uma explosão seguida de incêndio em uma loja.

‘Deram até o nome da companhia aérea do avião que tinha caído. Esse é o tipo de coisa que a tecnologia permite e que a internet divulga. Isso acontece não por causa da internet mas das pessoas que alimentam a internet’, afirmou.

Sabatina

Primeiro veículo de imprensa a ter um ombudsman no país, a Folha de S. Paulo celebra neste mês os 20 anos da criação desse cargo no jornal.

Carlos Eduardo Lins da Silva respondeu a perguntas da plateia e de quatro entrevistadores: o colunista da Folha Marcelo Coelho, as jornalistas Eleonora Gosman, correspondente do jornal argentino Clarín; e Verónica Goyzueta, correspondente do espanhol ABC, e Eugênio Bucci, professor da ECA-USP e colaborador de O Estado de S. Paulo.

 

 


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