Master em Jornalismo Uma revolução no ensino de jornalismo no Brasil

Brasília, 30/06/2010 às 23h12

Pesquisa revela hábitos de informação e formação da população brasileira

TV supera até mesmo o rádio em abrangência. Maioria da população diz que meios de comunicação não exercem influência direta na formação de opinião

Jornalistas & Cia.

A televisão é o mais abrangente meio de comunicação do País, visto por 96,6% da população brasileira. Supera, até com certa folga, o rádio, que vem a seguir com 80,3% de estimada presença nacional. Os jornais atingem 46,1% dos brasileiros, mas apenas 24,7% deles são leitores diários; e as revistas, 34,9%. A internet já é utilizada por 46,1% da população, com média de 16,4 horas semanais de utilização (o lazer é a principal finalidade de acesso para 46,3% dos internautas, enquanto 24,8% a utilizam principalmente para buscar informações, sendo que cerca de 47,7% deles costumam ler jornais, blogs ou notícias pela internet). Esses são alguns dos principais aspectos demonstrados por uma ampla pesquisa quantitativa realizada entre o final de 2009 e início de 2010 junto a 12 mil pessoas, em 924 pontos amostrais, pelo Instituto de Pesquisa Meta, sob encomenda da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

O custo da pesquisa foi de R$ 750 mil e o número elevado da amostra deveu-se, segundo Ottoni Fernandes Jr., secretário adjunto da Secom, à inexistência de parâmetros anteriores para servir de base. ‘Essa foi a primeira e como não havia referências precisava abranger um universo maior. As próximas já poderão ser feitas com um número menor de entrevistados”, assinala. Foi encomendada, segundo Ottoni, com o objetivo de permitir ao Governo Federal aprimorar e tornar mais eficaz sua comunicação com a população brasileira. “Com essa pesquisa em mãos, nos tem sido possível usar melhor o dinheiro público, pois todas as nossas ações deixaram de ser apoiadas em suposições e passaram a ser orientadas por informações técnicas e mais precisas”, ressalta.

 “Agora dispomos de uma completa radiografia dos hábitos da população brasileira no que diz respeito ao consumo de informações e influências na formação de opinião e com isso podemos segmentar nossa comunicação, chegando com a mensagem certa ao veículo certo para o público que queremos atingir. Se o Governo precisa se comunicar com um jovem de 16 anos da periferia de um grande centro, por exemplo, e o quer fazer com uma campanha específica, sabe, com base nessa pesquisa, que a internet é o melhor meio para isso porque esse jovem hoje é um internauta assíduo, que mesmo não tendo internet em casa vale-se da extensa rede de lan houses para navegar na rede”, enfatiza o secretário.

 Finalizada em março, a pesquisa chegou ao site da Secom há pouco mais de uma semana, respeitando uma “quarentena” de três meses, como é norma do Governo. Ela já está disponível no site da Secom (o atalho é HTTP://migre.me/T7vY).

TV e credibilidade da mídia – A pesquisa quantitativa Hábitos de Informação e Formação da População Brasileira, realizada pela Meta sob encomenda da Secom da Presidência da República, ouviu brasileiros nas cinco regiões geográficas, e os resultados são decupados por sexo, idade, nível de escolaridade e renda. Foram entrevistadas 2.090 na Região Norte; 2.224, na Nordeste; 2.687 na Sudeste; 2.687 na Sul; e 2.312, na Centro-Oeste.

Vista por 96,9% da população brasileira, a televisão chega a esse elevado índice graças à TV aberta, assistida por 93,9% desse universo (83,5% que só vêem TV aberta e 10,4% que a vêem em conjunto com os canais pagos, também assistidos por outros 2,7% que dizem não ver a TV aberta). Outras informações importantes: 68,8% das pessoas dizem ver televisão entre 1 e 4 horas por dia (31,8%, de 1 a 2 horas; e 37%, de 2 a 4 horas); 64,6% consideram os telejornais a coisa mais relevante da programação (vindo a seguir as novelas, com 16,4%, e o esporte, com 7,2%); a Globo é a preferida de 69,8% (seguida por Record, com 13%; SBT, com 4,7%; e Band, com 2,9%); o Jornal Nacional é o programa preferido por 56,4% (sendo seguido por Jornal da Record, com 7,4%). Uma curiosidade constatada é a forte presença das antenas parabólicas nos lares brasileiros, que já atinge o cotidiano de 30,3% dos entrevistados (as antenas convencionais, apontadas por 56,3% dos entrevistados, ainda predominam).

No rádio, a música prevalece -  Em relação ao rádio, 60,9% das pessoas dizem que ficam sintonizadas de 1 a 4 horas por dia (35,9%, de 1 a 2 horas; e 25% de 2 até 4 horas), sendo que 68,9% dizem preferir música, 19,2% notícdias e 5,4% esportes (basicamente futebol). Desse universo 69,6% ouvem rádio em casa, 20,9% no carro, 17,7% no trabalho e 17,6% no celular.

Domingo é dia preferido para ler jornal – No caso dos jornais, há uma nítida preferência pelas edições de domingo, considerada por 42,3% dos leitores como o dia mais importante. Do universo das pessoas que dizem ler jornais com regularidade, 24,7% o fazem diariamente; 17,8% duas vezes por semana e 30,4% apenas uma vez por semana. O melhor desempenho vem da região Sul, onde 54,1% dos entrevistados disseram ler jornais (nível quase idêntico ao da Sudeste, com 52,7%); e o pior, das regiões Norte, com 29,4%, e Nordeste, 30,7%.

Veja, revista preferida – Do universo de quem diz ler revistas com regualridade, 36% informaram que lêem pelo menos duas e 9%, três ou mais. A preferida é Veja, apontada por 34,9% das pessoas ouvidas, vindo a seguir, quase empatadas, Época (16,5%) e IstoÉ (16,3%) – seguem Caras (15,5%), Contigo (13,9%), Nova (3,4%) e Carta Capital (1,5%).

Formação de opinião política – A pesquisa quis saber também como as pessoas se informam e formam sua opinião na questão política e apurou que 57,2% do universo ouvido não costumam falar de política e dos 42,8% que dizem falar; 31,7% o fazem apenas esporadicamente, contra 12,9% que dizem falar de política todos os dias. Os principais interlocutores nas conversas políticas, são, para 70,9% dos entrevistados, os amigos, vindo a seguir a família (57,7%), os colegas de trabalho (27,3%), os colegas de escola (6,9%), o namorado ou namorada (2,5%), a igreja (1,9%), os movimentos sociais (1,8%) e os sindicatos (0,8%). As respostas mostraram ainda que 67,2% das pessoas se mostram pouco flexssíveis para eventuais mudanças de opinião de que 26,7% costumam mudar de opinião; e ainda que, mesmo quando a conversa é com quem conhece mais do assunto, 61,1% prefere manter seu próprio ponto de vista, contra 31,4% que tendem a concordar, nesses casos, com os interlocutores.

Credibilidade da mídia é questionada - A mídia, embora confirme a informação de ser uma das mais relevantes fontes de informação para as pessoas, não foi apontada como confiável pela maioria delas, que a classificaram como tendenciosa (57,3%), contra 24,3% que a consideram imparcial e isenta. A credibilidade dos meios de comunicação também foi colocada em cheque: 72,1% acreditam muito pouco neles; 7,5% não acreditam no que eles informam; e 18,8% acreditam. O Nordeste foi a região que apresentou o índice mais elevado de credibilidade nos meios de comunicação (28%) e o Sul, o mais baixo (19,8%). Ainda assim, mesmo desconfiadas, 82,9% das pessoas dizem utilizar os meios de comunicação para se informar e 62,9% admitem mudar seus pontos de vista em função das notícias (26,5% dizem que nunca mudam seus pontos de vista por influência do noticiário).

Desafio é aprimorar a pesquisa - "Queremos aperfeiçoar a pesquisa, fazendo uma série histórica que possa servir de parâmetro confiável para a comunicação com a população brasileira", diz Ottoni, lembrando que esse trabalho está agora à disposição de toda a sociedade, inclusive dos demais núcleos do governo, de tgoda a área pública nos Três Poderes e nas esferas federal, estaduais e municipais, de escolas, de agências de publicidade e dos próprios meios de comunicação. "São pequenos detgalhes que por vezes podem melhorar muito a performance desse trabalho", destaca. "Me lembro que nas primeiras pesquisas que fizemos sobre a avaliação do Governo Federal em áreas como Saúde e Educação o resultado foi péssimo, mas quando aprimoramos as pesquisas, fazendo as perguntas certas, isso mudou radicalmente, porque muitas das pessoas que respondiam a pesquisa sequer utilizavam os serviços públicos e respondiam com base na imagem que tinham deles. No momento em que pusemos uma outra pergunta simples - se aquela pessoa ou sua família utilizava os serviços públicos - o resultado foi o oposto: a maioria das pessoas que utilizava aprovava e quem criticava era exatamente quem não usava".


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