Master em Jornalismo Uma revolução no ensino de jornalismo no Brasil

São Paulo, 07/04/2010 às 21h24

Maria José Sarno: Os desafios do jornalismo na TV a cabo

Editora-executiva da GloboNews fala do sucesso do canal de notícias 24 horas

Mônica Paula

Um canal de notícias 24 horas na TV fechada que lidera a audiência no segmento. Esta é a GloboNews, local de trabalho da jornalista Maria José Sarno. Com 26 anos de profissão, a atual editora-executiva falou com entusiasmo aos alunos do XIV Master em Jornalismo – Gestão de Empresas de Comunicação, na tarde de segunda-feira (05/04), do canal que ganhou duas posições no ranking das emissoras de TV por assinatura em 2009, com um público integrado por formadores de opinião das classes A e B, mas conquistando pouco a pouco uma significativa parcela da classe C que começa a ter acesso aos canais da TV a cabo por conta de sua ascensão econômica. Mais de 17 milhões de pessoas diferentes passaram pelo canal em 2009, um crescimento de 22% em relação a 2008.

Para conquistar mais espaço, a emissora antes identificada como “muito carioca” pelo público paulista, maior em quantidade, transferiu parte da produção da programação para São Paulo. A estratégia foi bem sucedida por conta da reação dos números. Com uma equipe enxuta, mas muito comprometida com o fazer diário e ininterrupto do jornalismo, conta com âncoras como Carlos Alberto Sardenberg, do Jornal das Dez, e Mônica Waldwogel, que comanda o Entre Aspas, programa de debates, que alavancam a audiência pela empatia com o público.             

Com uma grade de programação que privilegia a notícia, sobretudo aquela de grande impacto em tempo real, Maria José Conta que cada profissional da emissora tem de ser diferenciado, ter um bom “jogo de cintura” e conhecimento para poder falar ao vivo quanto tempo for necessário, entre outras demandas. “Hoje, a exigência do canal é tamanha que não se consegue formar mais repórteres”, lamenta. Isto é compensado, segundo ela, pela mescla de idade entre os profissionais, divididos entre jovens e veteranos “que fazem uma troca muito boa”.

Acontecimentos como o julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte da menina Isabella Nardoni, em 2008, fazem a audiência disparar por conta da cobertura maciça. No ano passado, foram mais de 4 mil horas de telejornais com relatos de tudo o que aconteceu no Brasil e no mundo. Estimulados por este retorno do público, os executivos que definem os rumos da emissora estudam a ampliação do time de editores, produtores, repórteres e equipe técnica que atuam na praça paulista. Atualmente, são 35 pessoas em São Paulo e cerca de 100 no Rio de Janeiro, uma pequena estrutura que consegue colocar um conteúdo de qualidade no ar graças a parcerias com emissoras afiliadas espalhadas por todo o País. Por sua vez, estas conseguem veicular um número maior de reportagens em rede nacional tendo a GloboNews como caminho porque a TV aberta (TV Globo) tem um tempo bem mais limitado. “A questão é ter meios para contar boas histórias”, acredita Maria José.

Uma boa notícia veio do mercado publicitário, que elegeu a GloboNews como o veículo mais admirado da TV por assinatura. Traduzindo:  a emissora é um bom negócio para os anunciantes. Em 2009, conquistou o Prêmio Monet pela melhor cobertura da morte do cantor Michael Jackson, em junho.

TV e internet – A GloboNews tem parte de seu conteúdo disponibilizado no G1, portal de notícias que concentra todas as plataformas – TV, rádio, jornal e internet. Só não tem mais quantidade de reportagens e programas especiais porque a banda larga ainda não comporta. Com o próprio G1, faz parcerias que se revelam vantajosas para os dois lados em termos de audiência, como ocorreu recentemente na visita da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, durante encontro com alunos da Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, transmitido ao vivo pelos dois meios. “Deu muito certo”.


Cursos avançados para jornalistas

Master_gestao Master_jornalismo_digital Master_economico
Patrocínio e responsabilidade social