São Paulo, 11/03/2010 às 22h55
Elio Gaspari: Como a mídia pode fazer receita na internet
Jornalista admira trabalho do NYT e acha que portais brasileiros estão acima da média
Mônica Paula
Na tarde da terça-feira (09), o jornalista Elio Gaspari fez uma palestra para os 20 alunos do XIV Master em Jornalismo – Gestão de Empresas de Comunicação, cujo Módulo I se estendeu pela semana de 8 a 12 de março. Veterano profissional das redações, falou longamente sobre a tecnologia que suplanta o impresso nos livros e nas notícias. “Se no papel custa 30, na internet será 10. Não estamos discutindo o pagamento, mas sim o preço. Qualquer que seja a plataforma, a imprensa sempre vai pegar uma informação aqui e vai contar ali, para o sujeito que dá valor a isso”.
Ainda ninguém descobriu a fórmula exata. “Se descobrir, não diz aqui. Pega um avião e vai para Nova Iorque ganhar dinheiro”, brincou. O modelo de publicidade para sustentar a mídia vem sofrendo grande transformação com a internet. A idéia de vincular circulação com visibilidade de anúncio mudou completamente porque na web se pode provar que a mercadoria ou serviço foi efetivamente comercializado. Basta cruzar o número de cliques com o das vendas. Este sistema de publicidade na internet tende a se disseminar cada vez mais. É por aí o caminho para a mídia lidar com dois vetores que ameaçam sua sobrevivência: as quedas de receita e de circulação.
Repórter-pesquisador
De seus anos como repórter, editor e colunista, Gaspari aponta um grave fenômeno dos tempos da tecnologia: o da apuração. “Um repórter que vai fazer uma entrevista e não sabe nada está morto. Tem de fazer pesquisa e estar preparado antes de conversar com a fonte. Por outro lado, apurar informação junto a entrevistado com conteúdo que está na Wikipedia,p or exemplo, é pura perda de tempo”.
Há anos, Elio Gaspari mantém um banco de dados próprio, que inicialmente fazia manualmente, com fichas em papel anotadas e arquivadas. Depois migrou para o computador. Defende que cada jornalista tenha um banco de dados com suas próprias matérias – “não custa nada o sujeito guardar o que escreveu e publicou”. É bom ter as próprias reportagens e outras dos colegas sobre o mesmo tema. Quando acumula uma boa quantidade sobre um assunto qualquer e ele volta à pauta, basta digitar um “procura” e lá está. Aparecem coisas que foram esquecidas, detalhes importantes que podem fazer diferença em uma reportagem.
Serviços na internet
Para Gaspari, a operação brasileira de mídia na internet está acima da média. Fica só atrás dos ingleses. Lê e admira também o New York Times, que “está fazendo site de imprensa mais clicado do mercado. A cada seis meses, eles mudam de cara”. Boas iniciativas devem ser copiadas. Cita a do próprio NYT, que disponibiliza a semana inteira as resenhas de livros publicadas no suplemento de domingo. Assim, o leitor tem um bom tempo para a leitura. O desafio na web é fidelizar a audiência. “A commodity que remunera nosso serviço é o tempo, não o dinheiro.“
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