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São Paulo, 01/02/2010 às 12h33

Venezuela: fechamento de emissoras pode desencadear outras reações

Opinião é do jornalista e professor de Ética Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo

Mônica Paula, com Band News FM

 

Em entrevista à rádio Band News FM, de São Paulo, o jornalista e professor de Ética da Comunicação Carlos Alberto di Franco, diretor do Master em Jornalismo, afirma que a ofensiva de Hugo Chávez contra os meios de comunicação demonstra os lances finais de uma ditadura plena e aberta. Di Franco considera positivo que haja reação da sociedade civil, mas a permanência do presidente no poder mostra um país dividido ao meio. Ele diz que o fechamento de emissoras pode desencadear um processo de outras limitações de liberdades na Venezuela, ressaltando que tentativas de controle dos meios de comunicação acontecem em maior ou menor grau em diversos países da América Latina, inclusive no Brasil.

Para o professor de Relações Internacionais da USP Rafael Villa, o ataque de Hugo Chávez às instituições venezuelanas dificulta uma reação da sociedade contra o poder concentrado pelo presidente. Por essa razão, ele não acredita que Chávez vá deixar o governo de maneira forçada, como aconteceu com Manuel Zelaya em Honduras. Segundo Rafael Villa, a oposição, atualmente muito dividida, tem uma chance de começar a pressionar o presidente venezuelano a partir das eleições legislativas marcadas para setembro. Apesar de correr o risco de Hugo Chavez não aceitar o resultado da eleição, como já aconteceu em outros pleitos, Rafael Villa considera prudente que ele o faça para que o país não fique ainda mais dividido.

Já o economista da PUC de São Paulo Pedro Silva Barros avalia que a crise econômica venezuelana é grave, mas talvez não suficiente para mudar o quadro político. Ele aponta que há uma ligação profunda entre economia e política, mas destaca que as principais vitórias de Chavez ocorreram em momentos de turbulência financeira. Segundo Pedro Silva Barros, a crise energética é um reflexo da preferência histórica de investimentos na produção de petróleo, em detrimento a outros setores. O economista da PUC de São Paulo, Pedro Silva Barros, lembra que a inflação é um dos principais econômicos da Venezuela. A taxa, acima de 25% ao ano, tem elevado a perda de poder aquisitivo da população entre 25% e 30%.

 


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