Master em Jornalismo Uma revolução no ensino de jornalismo no Brasil

São Paulo, 17/11/2009 às 07h49

Módulo II do Master em Jornalismo Econômico começa com aulas sobre investimentos diretos estrangeiros e mercado de capitais

No mesmo dia, foram debatidos temas como a cobertura jornalística político-econômica da América Latina e a história de quase 10 anos do jornal Valor Econômico

Maria Helena Tachinardi

Vera BrandimarteLuis Afonso Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) abriu o Módulo II do Master em Jornalismo Econômico na manhã do dia 16 de novembro, segunda-feira, falando que depois da crise financeira global, a recuperação do investimento direto estrangeiro será lenta e favorecerá economias em desenvolvimento, sobretudo o Brasil, cuja força do mercado interno é um atrativo importante. De US$ 25 bilhões em 2009, o IDE no Brasil deverá atingir US$ 38 bilhões em 2010.

Em matéria de investimento direto do Brasil no exterior, cujo total é de US$ 162 bilhões, ainda há muito espaço a ser ocupado, uma vez que, de todo o investimento direto no exterior, a participação do Brasil é de apenas 1,1%, atrás de muitos países desenvolvidos, destacou Luis Afonso, para quem a internacionalização de empresas brasileiras é um processo irreversível, que só tende ao crescimento.

O economista Roberto Teixeira da Costa, primeiro presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cargo que ocupou até 1979, é autor do livro Mercado de Capitais - Uma Trajetória de 50 Anos (Editora Imprensa Oficial). Na aula que deu no mesmo dia, ele discorreu sobre sua experiência, contando como era o mercado acionário nas décadas passadas. Teixeira da Costa explicou que o “boom” da bolsa, entre 2004 e 2007, se deveu à consistência das políticas macroeconômicas, à liquidez internacional, à estabilidade política e econômica, ao fato de as ações brasileiras terem estado mais baratas em relação às dos demais países do BRIC, aos avanços em governança corporativa, às melhores regras do mercado, ao fato de os profissionais do mercado estarem mais bem equipados e à internet.

Alberto Pfeifer, diretor executivo do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL), fez palestra sobre “a visão empresarial relacionada à cobertura jornalística de temas políticos e econômicos latino-americanos”. Pfeifer analisou o quadro político dos países da região, onde vários governos se enquadram no chamado socialismo do século XXI, em que se constata cerceamento da informação. Nesse contexto, fica mais difícil para os setores empresariais influenciarem políticas públicas.

A jornalista Vera Brandimarte (foto), diretora de Redação do Valor Econômico, fez uma apresentação sobre a trajetória do jornal, fundado em 2000, e destacou que a indústria jornalística precisará definir um novo modelo de negócio. Ela disse que a tendência é dos jornais fecharem seus conteúdos na internet, pois a informação deve ser remunerada, caso contrário como os jornais pagarão o salário dos seus jornalistas? Um concorrente que prejudica o crescimento da circulação, disse, é o clipping eletrônico enviado aos clientes pelas agências de comunicação. Os empresários e executivos, que se informam lendo o clipping, prescindem da assinatura do jornal, o que dificulta a ampliação do número de assinantes empresariais. “As agências de comunicação não percebem que estão dando um tiro no próprio pé, pois se os jornais morrerem, quem dará a informação sobre as empresas?”

 

 


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