Master em Jornalismo Uma revolução no ensino de jornalismo no Brasil

São Paulo, 20/10/2009 às 01h40

Angel Arrese: Infográficos e muita criatividade são ferramentas para facilitar cobertura e compreensão de temas econômicos

Professor da Universidade de Navarra abriu o Master em Jornalismo Econômico juntamente com os economistas Marco da Camino Soligo e Luiz Eugenio Figueiredo, que falaram sobre governança corporativa e private equity/venture capital

Mônica Paula

Angel Arrese 2O Master em Jornalismo Econômico começou nesta segunda-feira (19/10) com a participação de 13 jornalistas – editores e repórteres especializados em economia de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Os professores Angel Arrese (foto), Marco da Camino Soligo e Luiz Eugenio Figueiredo falaram, respectivamente, sobre Jornalismo Econômico, Governança Corporativa e Private Equity e Venture Capital. O Módulo I do Master prossegue até sexta-feira (23).

A coordenadora do curso, a jornalista Maria Helena Tachinardi, relembrou que os principais objetivos do curso são: contribuir para um melhor entendimento crítico dos complexos temas da agenda econômica internacional; contribuir para que os conceitos e conhecimentos transmitidos sejam úteis na prática diária de profissionais que lidam com a comunicação dos diversos aspectos da globalização; e despertar a consciência crítica na abordagem das várias dimensões da globalização.

Angel Arrese, diretor do Programa de Doutorado em Comunicação da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha) e autor de uma alentada tese sobre a revista The Economist, mencionou a complexidade e a dificuldade na cobertura de temas econômicos em função do elevado nível de abstração e técnica. Daí a importância da utilização de infográficos e de muita criatividade. “A economia requer explicações visuais e, nisso, a infografia é efetiva. A internet é perfeita para explicar a economia”, comentou. Disse que o jornal La Vanguardia, da Espanha, é o que melhor cobre a crise financeira global pela internet.

‘Como os assuntos econômicos são ‘chatos’, é preciso que os jornalistas tratem os temas com humor e nisso a imprensa anglo-saxã é imbatível. O principal exemplo de humor fino e inteligente é o da Economist, da Inglaterra’, disse o professor espanhol.

Sobre o jornalismo econômico, Arrese, que deu duas aulas, disse ainda que é “altamente sensível e rigoroso” e que lida com índices, rankings e estruturas estáveis. O especialista da Universidade de Navarra destacou a necessidade de transparência no jornalismo econômico, principalmente para lidar com a cada vez maior rede de conflitos de interesses existentes na mídia, em que donos de publicações são também proprietários de empresas de outros setores da economia.

A terceira aula do dia foi sobre Governança Corporativa. O economista Marco da Camino Soligo, que foi diretor administrativo financeiro da Rio Grande Energia e é sócio fundador da Governare, companhia especializada na implantação de sistemas de governança corporativa e modelos de excelência de gestão, citou os princípios de governança corporática: transparência, prestação de contas, equidade, responsabilidade corporativa.

Os cinco elementos de um bom sistema de governança corporativa são: boas práticas de Conselho e Diretoria Estatutária, forte ambiente de transparência, sistemas apropriados de controle, proteção ao direito dos acionistas minoritários e comprometimento para a implantação de práticas de governança corporativa.

Luiz Eugenio Figueiredo, presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), falou apaixonadamente sobre o tema em uma exposição de cerca de duas horas. Aos jornalistas em dúvida, definiu PE&VC como “investimento em economia real, em boas idéias que geram empregos”. Os EUA, pátria-mãe deste tipo de investimento, registra que o venture capital é responsável por 19% do PIB e 11% dos empregos gerados, segundo dados mais recentes.

Sócio-diretor da Rio Bravo, uma das maiores gestoras de recursos do mercado, Figueiredo afirmou que o Brasil é fonte potencial de vários negócios, sobretudo na área de tecnologia, mas sem deixar de lado a infra-estrutura (telefonia, energia, petróleo e gás e transporte).


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