São Paulo, 01/02/2010 às 13h10
Cláudia Belfort lança livro de contos
"Aqueronte, o Rio dos Infortúnios" conta histórias fictícias baseadas em fatos reais de pessoas loucas, excêntricas ou geniais
Mônica Paula, com divulgação
A jornalista Cláudia Belfort (VII Master em Jornalismo - 2003), atual editora-chefe do Jornal da Tarde, lançou na terça-feira, 2 de fevereiro, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Pompéia, em São Paulo, o livro "Aqueronte, o Rio dos Infortúnios" (Editora Letras do Brasil). O livro reúne 13 contos perturbadores que têm em comum a história de pessoas loucas, excêntricas ou geniais, dependendo de como as observa e as classifica. Todas as histórias são fictícias, mas obtidas a partir da experiência de Cláudia com fatos reais.
Os relatos trazem à tona histórias de pessoas cujos mecanismos de pensamento fogem do padrão geral: loucos, excêntricos, desequilibrados, psicóticos, visionários, esquizofrênicos, doentes mentais, gênios. Foi o convívio com as mentes diferentes no âmbito familiar que levou Cláudia a estudar por anos e, agora, usar a ficção para contar parte das experiências que viveu. Cada episódio do livro tem vida própria e eles podem ser lidos aleatoriamente, sem prejuízo da compreensão. Mas personagens e situações se entrelaçam pelas histórias, e a leitura pela ordem como estão publicadas passará ao leitor, ao final, uma maior idéia de coesão.
Num certo conto, por exemplo, a morte de um ancião é narrada pela filha que o acompanha no leito de morte. Em outro, os últimos momentos de vida do mesmo homem são narrados a partir do ângulo de visão do moribundo num redemoinho que vaga entre a razão e a semiconsciência.
Aqueronte é o rio dos infortúnios na mitologia grega. Era por ele que o banqueiro Caronte levava as almas até a margem onde estava o ponto de Hades, o submundo dos mortos, o inferno guardado por Cérbero, o cão de três cabeças. Na Divina Comédia, de Dante Alighieri, é o ante-inferno, que faz fronteira com o inferno.
Nos contos de Cláudia Belfort, é o caminho da agonia que muitos portadores de distúrbios mentais, loucos sociais, seus amigos e familiares sofrem. Sofrem por não terem tratamento, por não serem compreendidos, por fazerem o outro sofrer, sofrem por não serem reconhecidos como um outro, por serem obrigados a se igualar para serem aceitos.
"Os contos são envolventes. Somo tudo o que está fora do escopo de padronização comportamental de nossa sociedade a uma viagem literária", afirma a autora. Em um dos contos, por exemplo, o leitor encontrará a história de uma mulher, internada à revelia, que, após uma tentativa de suicídio, decide fugir da clínica psiquiátrica logo no primeiro dia. Sua mente inquieta funciona a toda velocidade e ela consegue executar o plano de fuga arquitetado em detalhes. Camufla a cama, desliza pela fresta do vitrô basculante, desce ao pátio externo pelo cano de água da chuva e, na rua, é resgatada por um anjo. Depois da crise, a explosão da razão extrema e, por fim, o delírio.
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Cláudia Belfort é pernambucana, jornalista e filósofa. Cursou o VII Master em Jornalismo - Gestão de Empresas de Comunicação, em 2003. É pós-graduada em Administração de Empresas e tem especialização no conflito árabe-israelense pela Universidade Beit Berl, de Israel. Atualmente é editora-chefe do Jornal da Tarde. Já trabalhou na revista Veja e no jornal Gazeta do Povo, em Curitiba, onde também foi editora-chefe. Tem passagens pela TV Jornal do Commercio, retransmissora do SBT em Recife, Diário de Pernambuco e sucursal recifense de Veja - Vejinha e na revista de circulação nacional. Em 1992, mudou-se para Curitiba, onde também trabalhou para a Veja. Em 2000, foi chamada pela jornalista Marleth Silva, com quem havia trabalhado na Veja na capital paranaense, para ajudar na implantação do portal de notícias da Gazeta do Povo.
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